A Loja Maçônica Obreiros da Paz n º 2909, Federada ao Grande Oriente do Brasil e Jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil-Paraná, vem, pela presente manifestar sua posição quanto a descriminalização de drogas, tema que tem tomado vulto perante nossa sociedade e tem ocupado destaque na mídia.
A celeuma que envolve o tema não é das menores, pois sob o argumento de que os usuários de drogas são doentes, tentam descriminalizar o uso, porém esquecem-se do tráfico, notadamente da maconha, entorpecente segundo o que dizem trata-se de uma droga leve.
Não se pode negar que o usuário é um doente que precisa de tratamento, mas em se decriminalizando o uso da maconha haverá um incremento do uso e do tráfico, abrindo para o usuário as portas para outros tipos de entorpecentes e também para outros tantos crimes gerados pelo tráfico de drogas.
Há aqueles que defendem que a descriminalização servirá para identificar quem são os traficantes e assim colocá-los na “legalidade”.
Atualmente não se consegue controle sequer das contas públicas, ou seja, os impostos que sacrificadamente pagamos, há corrupção, desvios, negociatas, será que a descriminalização de quaisquer drogas que sejam seria possível, ou colocaríamos na “legalidade” um contingente de criminosos que já mataram, roubaram e cometeram toda sorte de crimes?
Somente se levanta a discussão, ninguém encontra caminhos para resolvê-la.
Parece bonito para os intelectuais levantar a bandeira da descriminalização, talvez porque vivam ou vingem viver uma outra realidade que não a da população em geral. Certamente tiveram educação de qualidade, acesso a segurança, informação, saúde e bens de consumo.
E caso algum familiar se envolva com as drogas terão condições de bancar um tratamento que na maioria das vezes é inexitoso.
Mas aquele cidadão que não teve acesso a educação de qualidade, acesso a segurança, informação, saúde e bens de consumo e nem tem como bancar um tratamento destes, o que pensa, ao ver seu filho se envolvendo com drogas ?
Com certeza não concordaria com a descriminalização de qualquer tipo de droga.
Muitos afirmam que as bebidas alcoólicas e o fumo também são drogas, mas lícitas e tentam trazer a maconha para este rol.
Existem muitas defesas neste sentido, cuja discussão demandaria uma infinidade de correntes religiosas, legais e filosóficas, porém apenas um argumento nos convence; se bebidas alcoólicas e o fumo são drogas licitas, porque aumentar este rol ?
O grande desafio da política de liberação de drogas tem sido até agora o aumento do narcotráfico. A Holanda foi o primeiro país a permitir o uso de maconha, em 1976, ainda que restrito a bares especiais e só para maiores de 18 anos, sendo que a tolerância teve sucesso em tirar os consumidores da clandestinidade, mas não surtiu o mesmo efeito no tráfico.
Sabe-se que metade dos crimes cometidos no país são ligados aos entorpecentes, e o número de presos triplicou nos últimos dez anos e que a Holanda está revendo sua política tolerância. Só para exemplificar coffe-shops próximos a escolas estão sendo fechados; proibiu-se a venda de maconha e álcool no mesmo estabelecimento; o aumento do consumo aumentou principalmente entre os jovens; o tráfico internacional se instalou por lá, o que era inexistente há 20 anos; a Holanda é o pólo exportador das drogas sintéticas.
A droga qualquer que seja desestrutura a célula principal de nossa sociedade, ou seja, a família.
A Maçonaria tem na família uma de suas vigas mestras e qualquer tema que envolva a mesma é do nosso interesse e motivo de nossa defesa.
Desta feita, a descriminalização da maconha é totalmente repudiada pelos Maçons da Loja Maçônica Obreiros da Paz, por incrementar o crime em todas as suas facetas e por desestruturar a família.
Ainda que não bastassem os argumentos de ordem moral já expostos, temos ainda o argumento econômico e que afeta a todos nós contribuintes, pois a estrutura de saúde do país não dá conta nem mesmo das enfermidades corriqueiras, o que fazer com os dependentes que certamente surgirão?
Talvez deixá-los à mercê da própria sorte como vem acontecendo nas grandes cidades, criando uma casta de vivos-mortos e enfraquecendo ainda mais o sistema de saúde já tão combalido ?
Nenhum político propõe haja punição pela falta de recursos ou negligencia do atendimento do SUS, mas propor que a doença da dependência seja disseminada, ai sim aparecem os intelectuais e interessados.
Sacudir ainda mais uma sociedade tão maltratada por seus políticos e intelectuais que vivem uma realidade diferenciada da população em geral, trazendo uma discussão que parece bonita, mas que esconde uma gama infinita de outros crimes e desgraças ?
Não se pode acabar com o problema simplesmente legalizando o uso da maconha, pois o usuário e o traficante são interdependentes.
Os dependentes, assim tratados como doentes devem ter acesso à recuperação, porém não se pode ser permissivo com os mesmos, pois havendo tratamento adequado este deveria ser compulsório.
Notemos que atualmente a dependência química se trata de um problema de saúde pública e como tal deve ser tratado, assim a obrigação compulsória de tratamento a fim de que se recupere o dependente é primordial.
Todo o acima exposto esbarra no problema crucial para o desenvolvimento de qualquer sociedade, qual seja o investimento maciço em educação, pois nossa sociedade não está preparada suficientemente para qualquer discussão quanto a descriminalização de drogas.
Como sempre no Brasil se tenta colorir nossa realidade trazendo de outros países exemplos, no mais das vezes incondizentes com nossa sociedade, somente porque se dá destaque ao tema nos meios de comunicação.
Especial importância merece o fato de que em nenhum país se encontrou a solução para o problema, ou seja, os países que descriminalizaram o uso, pensam em voltar atrás, os que, assim como no Brasil, reprimem não obtém resultados satisfatórios.
Descriminalizar a maconha ou qualquer outra droga é medida extremamente temerária, a uma porque não temos nível educacional suficiente para que a sociedade entenda a dimensão e todas as conseqüências envolvidas, a outra porque o país não possui estrutura para dar tratamento aos dependentes.
Por esses motivos a Loja Maçônica Obreiros da Paz de Pinhais, diante dos princípios que norteiam a Maçonaria, na defesa da família e da sociedade, não teme em repudiar veementemente a descriminalização do uso da maconha.
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